Guia para iniciantes em fotografia

Ultimamente tenho visto várias pessoas se interessando mais por fotografia, algumas até mesmo me perguntando sobre câmeras e lentes. Resolvi então fazer este longo artigo para falar um pouco sobre o assunto para quem está começando ou tem curiosidade.
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Fotografando com câmera ao contrário.
É comum ouvir algo do tipo:
– Sua câmera tira ótimas fotos, hein?
– Sim, é adestrada.
Ou gente se desiludindo:
—Aaaaah!… Mas você tratou a foto, né?
Por esta lógica, se você cozinha, não vale temperar, OK? Que aí já é enganação.

Então para tentar explicar até onde estes pontos fazem diferença e expandir o panorama, vamos a alguns tópicos que colaboram para boas imagens:

• Assunto
:
escolha de temas diversificados que possam gerar fotos mais interessantes
• Olhar
: saber compor a foto, como enquadrar, trabalhar planos, cores e momento
• Equipamento: câmera, lentes, tripés, flashes, filtros enroscáveis e bugigangas em geral
• Técnica: saber operar e tirar proveito do equipamento, além de entender como a luz afeta o resultado da imagem
• Processamento: contraste, saturação e ajustes diversos do tratamento (incluindo filtros e revelação/ampliação)
• Edição: seleção do material (o que você vai apresentar e o que vai descartar)

Vou desconsiderar a ordem para ir direto ao item mais polêmico: equipamento
Sim, isso ajuda, mas é só um dos tópicos. Dá para ter resultados muito bons mesmo com câmeras mais simples, portáteis, point-and-shoot.
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MythBusters: Let's check this myth

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Fotografia point and shoot (portáteis) 1 e 2 - retiradas do Flickr
1 e 2
Fotografia point and shoot (portáteis) 2 e 3 - retiradas do Flickr
3 e 4
Fotografia point and shoot (portáteis) 5 e 6 - retiradas do Flickr
5 e 6
Fotografia point and shoot (portáteis) 7 e 8 - retiradas do Flickr
7 e 8

Rolou até um vídeo famoso mostrando um ensaio de moda, feito com iPhone 4, à época de seu lançamento. Se bem que isso aí foi meio forçado. No caso, tudo foi profissional, menos a câmera. Entretanto o ponto é válido e celulares também contam.

Particularmente eu não gosto tanto de usar smartphones com esse objetivo, e nem é pelo resultado gerado ou por achar que falta qualidade e recursos técnicos, já que hoje em dia há opções de modelos decentes. Contudo me incomoda a ergonomia e usabilidade, que a meu ver são bem ruins. Afinal, são telefones que tiram foto, e é por isso que em relação à equipamentos mais simples, ainda prefiro uma boa portátil, que são mais ágeis, confiáveis e com botões dedicados (sem aquela coisa toda do touch, imprecisões de toques, lags e submenus). No entanto não se pode negar que os espertofones tem seus bons méritos e vantagens, pois além de também serem câmeras descomplicadas, que estão sempre à mão (mais do que as compactas), permitem uma melhor integração com a internet e podem ser até menos intimidantes. Então, se estas são suas preferências, fique à vontade.

Nascer-do-sol em Lisboa
Marc Biarnès – tirada com um Nokia Lumia 1020
Dois senhores e reflexos de vidro – Dublin
Brendan Ó Sé – tirada com um iPhone 6
Nascer-do-sol em praia (Can Gio)
Duy Trinh – tirada com um Meizu MX5

Para certos estilos, fotografar com celular certamente é bem massa (não se preocupe, não vou falar de selfies). Alguns até se perguntam se nos dias de hoje, Henri Cartier-Bresson (1908–2004), referência na fotografia documental, usaria um smartphone para seus registros – eu acho que faria mais sentido que ele usasse uma point-and-shoot topo de linha –, afinal, ele gostava de sua Leica justamente por ser pequena, e mais importante, silenciosa, já que agir de modo discreto é essencial na fotografia de rua. Além do mais, o cara odiava pós-produção, etapa muito relacionada a câmeras mais complexas.
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Rue Mouffetard e La Gare Saint-Lazare de Henri Cartier-Bresson
Duas das fotos mais manjadas de Henri Cartier-Bresson: Rue Mouffetard, 1954 e La Gare Saint-Lazare, 1932

Voltando a desmistificar a relação fotografia-tecnologia, há ainda os que fotografam praticamente sem máquina ou lentes, conseguindo ótimos resultados mesmo assim. Basta pesquisar por pinhole — talvez você tenha tido contato com isso em alguma aula de Química do colégio.
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Exemplos de fotografias pinhole
Fotografias pinhole: Tim Franco (esquerda) e Steven Pippin (direita)

O que não vale é culpar (a falta de) equipamento, pois quem fica esperando arrumar algo bom e não desenvolve outras habilidades, quando pega uma câmera legal pode cometer erros básicos, como nos exemplos do que não se deve fazer, do guia: 78 Photography Rules For Complete Idiots.

Exemplos de como compor uma foto
Algumas das dicas de Ivars Gravlejs

Tudo bem que várias situações aí são meramente cômicas, porém por mais que muita coisa pareça absurda, muita gente as faz, mesmo que em menor grau. É incrível, eu vivo me surpreendendo e lembrando dessas dicas quando pego para ver o álbum de férias de algumas pessoas ou quando preciso pedir para tirarem uma foto minha em algum lugar – por exemplo, em viagens.

Ficar atento a esses toques básicos já ajuda muito, como analisar a direção da luz, nivelamento do horizonte, enquadrar na disposição mais adequada (horizontal/vertical) ou aplicar uma simples e preciosa regra dos terços. É bom também evitar usar flash direto nos outros, para não deixar a pessoa com cara de animal prestes a ser atropelado na estrada à noite. Além disso, não desconsidere o que se passa ao fundo (vide Clã da Parede Podre).

Tais dicas são do tipo “leve um agasalho porque vai esfriar”, parecem bobas, mas quase sempre certas. Depois que já estiver mais familiarizado, vai saber quando pode e deve quebrar essas regras para gerar resultados mais criativos.
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Fotografia em contraluz
Foto de Justin Guariglia, contraluz

Como é o caso de Terry Richardson, fotógrafo/aparecido que muitas vezes faz uso de uma Yashica T4 (point-and-shoot barata de filme), jogando flash direto na galera, para criar um clima de foto-amadora-blasè-em-festa-hype-com-celebridades-se-passando-por-sexies-e-espontâneas.

Ben Stiller e Terry Richardson juntos
Zoolander
Saddam Hussein atacando de DJ
Cuidado: se não for o Terry Richardson fotografando, pode não ser considerado bacana

 

Dê uma estudada nos recursos de seu equipamento, principalmente se sua câmera tiver opções manuais de controle de exposição, velocidade de obturador, abertura de diafragma e sensibilidade ISO. No começo não parece tão simples, mas depois você vê que é o de menos. Caso queira entender como isso funciona, na internet tem informação a rodo e você acha até simuladores dessas coisas.
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Ler e estudar sobre equipamentos e aspectos técnicos pode virar uma mania. Depois de sacar como cada regulagem funciona, talvez você passe até a inverter a lógica da parada e pensar em fotos a partir de técnicas. Algumas destas:

Fotografia de alta velocidade (high speed photography) — obturador configurado para agir de modo rápido:

imagem "congelada" de cachorro se sacudindo
Carli Davidson

Macro — pode ser conseguido com filtros, lentes especiais, ou mesmo lentes comuns invertidas:

Cabeça de fósforo: macro
Pyanek

Light painting — baixa velocidade de obturador e alguma fonte luminosa que se move:

Rastro de luz de fagulhas
MrDystopia

Profundidade de campo reduzida (shallow depth of field ou shallow DOF) — diafragma muito aberto:

Foto de Neil van Niekerk - mulher com fundo muito desfocado
Neil van Niekerk

Atenção especial a este último exemplo, já que é o que muita gente busca quando começa com câmeras de lentes intercambiáveis (geralmente DSLRs). As áreas desfocadas são chamadas de bokeh e o efeito é alcançado combinando distância entre plano e fundo, junto a uma grande abertura de diafragma da lente. Como as que permitem a entrada de muita luz (lentes “claras”), geralmente não são baratas — à exceção das famosas cinquentinhas 1.8 — muita gente associa essa estética à “fotografia profissional”. Porém não é bem por aí, pois apesar de ser um dos recursos mais legais da fotografia, com grande potencial para direcionar o olhar, destacando pessoas e objetos do resto do ambiente, também pode virar uma bela muleta, te impregnando com uma boa preguiça de trabalhar outros aspectos compositivos. Além disso, frequentemente percebermos efeitos colaterais relativos à técnica, como situações do tipo “nariz em foco e olhos não”, “grupo de pessoas onde apenas umas poucas saem realmente focadas” e perda de contextualização (já que o que está em volta também pode ser importante e adicionar muito à imagem). ¡Ojo!

Procurar fotografar por uma ótica diferente ajuda muito a ter fotos menos batidas. Pense em novos ângulos.
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Pessoas em poses estranhas ao fotografar - 01

Pessoas em poses estranhas ao fotografar - 02

Pessoas em poses estranhas ao fotografar - 03

Pessoas em poses estranhas ao fotografar - 04

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Seus esforços podem ser nada belos, mas suas fotos sim o serão.

Não fique achando que tudo se resolve com teleobjetivas ou zoom exagerado. Um dos conselhos mais propagados na fotografia é: aproxime-se.

Câmeras se aproximando demais
Mas não tanto

Busque também assuntos mais diversos e instigantes. É até um estímulo para sair mais e conhecer novos lugares e atividades. Ficar concentrado em fotografar só pôr-do-sol, flor do seu jardim e seu gato estático, só é bom se você quiser virar o Richard Clayderman das câmeras. Apesar de que todo mundo tem ou já teve seu momento “fotografia de fundo de karaoke“, pessoalmente só recomendo pegar leve.

 

As possibilidades são infinitas, principalmente na fotografia digital. Explore isto.

Tira de (And Rementer – Tecno Tuesday) sobre fotos exdrúxulas amplificadas pela fotografia digital
O outro lado da moeda, exemplificado por Andy Rementer do Techno Tuesday

É interessante pensar mais na composição e brincar com ela: arranjos de cores, relação entre áreas claras e escuras, ver elementos como linhas horizontais/verticais/diagonais etc. Abstrair a cena e pensar mais em massas gráficas.

Fotografia de cima de quadra de tênis
Warsaw Open 2010 — Klaudia Gawlik de Piotrek Lakoswki
Fotografia de reflexo de bicicleta deixando rastro na água
Leave It All Behind de Ramat Mulyono
Composição diagonal feita com escada e cores
CinemaWorker de Marcus Björkan
Pessoas vista por baixo em brinquedo de parque de diversões
Tornado de Usman Arafat

Neste ponto, gosto muito do trabalho do Michael Kenna:

Fotografia de Michael Kenna: Barcos da Ilha Cát Bà — Baía de Ha Long, Vietnã
Barcos da Ilha Cát Bà — Baía de Ha Long, Vietnã (2008)
Fotografia de Michael Kenna: Perspectiva de Árvores — Tsarskoye Selo, Rússia
Perspectiva de Árvores — Tsarskoye Selo, Rússia (1999)
Fotografia de Michael Kenna: Torii, Estudo 1 — Takaishima, Lago Biwa, Honshu, Japão
Torii, Estudo 1 — Takaishima, Lago Biwa, Honshu, Japão (2002)

Na lomografia muitas vezes o interesse é apenas compositivo, então abstraia e esqueça várias das “regras” e dicas comentadas aqui.

Existem alguns tipos de câmeras analógicas fortemente associadas a essa vertente, como vários modelos das marcas Diana (honconguêsa? de Hong Kong), Holga (chinesa) e da própria LOMO (russa), que deu nome ao estilo. Todas tem em comum o fato de gerarem defeitos/efeitos inesperados. Algumas permitem brincar com múltiplas exposições.

Exposição dupla feita com uma câmera Diana
Resultado de uma Diana F+ (por Igor Corzh)

São câmeras criadas na década de 80, que vazavam luz, baratas, feitas de plástico, equipadas com lentes que distorciam a imagem, entre outras bizarrices. Porém qualquer máquina simples de filme pode ser utilizada, já que boa parte das características do estilo vem do uso de filmes cromos (slides, positivos) no lugar de filmes fotográficos tradicionais (negativos), que depois são revelados com químicos (C-41) fotográficos comuns. Ah! Se esses cromos/positivos estiverem vencidos, melhor ainda.

Caso queira se aventurar nesta corrente, pode começar resgatando e tirando a poeira de alguma antiga Olympus Pen (ou Trip), que seus pais devem ter guardado em uma caixa esquecida por aí. As Yashica comuns da década de 90 também servem.

Resultado de fotografia feita com filme cozinhado previamente
Foto de Hodaka Yamamoto, tirada com uma LOMO LC-A. O maluco chega a COZINHAR seus filmes (provavelmente cromos)
Fotografia de pés, tirada com uma Holga
Ciccio Palla, tirada com uma Holga 135 BC

Gosto principalmente das cores bem loucas. O ar despretensioso e o acaso podem deixar a atividade mais entretida, independentemente do resultado.

A ideia de fotografar muito e o que quer que seja, é um bom exercício, mas se não conseguir boas imagens assim, eis uma boa desculpa para tirar um monte de foto torta, com tratamento esdrúxulo e temas banais. Não por acaso algo da estética e ideia da lomografia (veja aqui as 10 regras de ouro) foi muito bem assimilada pelo cultura Instagram e fotografia mobile como um todo.

Tira – Cézanne, o tataravô do Instagram: "as pessoas precisam saber o que eu estou comendo agora"
E precisam saber o que você está bebendo também

Como eu sempre trabalhei com softwares gráficos, vou dar uma atenção especial à etapa final: pós-produção, processamento ou tratamento de foto.

"Tratamento" de fotografia em hospital.

*Observação importante: não vou me referir a manipulação extrema (trocar fundo, recortar, colar, mudar características físicas das pessoas), retoques do tipo que chamam genericamente de “passar no Photoshop”, como se a função do software fosse exclusivamente de “falsificar” o que foi retratado.

Por não fazer fotojornalismo e não me considerar um fotógrafo de rua – apesar de gostar do estilo – não tenho aquele papo de “a fotografia deve ser uma representação da realidade fixada num momento, blá, blá, blá…” (Henri Cartier, vai puxar meu pé à noite), então acredito que a pós-produção pode ser sim um momento criativo. Também penso que tudo, desde o começo do processo, gera algum tipo de interferência no resultado, por mais que se tente ser neutro ou preservar o “real”. Além do mais, referenciando Magritte, imagens traem:

Cachimbo de Magritte: Ceci n'est pas une pipe.
A meu ver, o valor de uma fotografia está na expressividade final resultada, então nem vejo os tais “#no filter”, como méritos adicionais à captura.

Escolher com cuidado o nível de contraste, compensação de exposição, saturação, balanço de cores e ajuste de enquadramento, tudo isto colabora para expressão final da foto, mas é importante lembrar que não há tratamento que salve uma foto ruim.

Praticamente todas as câmeras DSLR, mirroless e até mesmo várias portáteis, incluindo já alguns modelos de celulares, possuem a capacidade de fotografar gerando arquivos RAW. Quem utiliza este formato, sabe que os ajustes que mencionei são essenciais antes de convertermos a imagem para JPEG (extensão final mais comum), já que o arquivo “cru”, sem compressão, gerado pelas câmeras, se apresenta de maneira bem neutra e com uma grande margem para alterações. Aí é pra mexer mesmo e deixar do modo como você pensou quando bateu a foto, ou mesmo testar novas possibilidades ao manipular a imagem. O bom é que a alteração é totalmente não destrutiva: pode modificar o tanto que quiser e quantas vezes precisar. Não é a toa que o RAW é chamado de negativo digital.

Um software excelente para trabalhar suas fotos é o Lighroom da Adobe, que apesar de funcionar legal com JPEG, é bem melhor com arquivos RAW (sem compressão, que permitem mais possibilidades). O Lr é muito fácil de mexer, tem ótimos recursos e é bem intuitivo. Como o próprio nome sugere, se propõe a ser para a fotografia digital, algo relativo ao quarto escuro dos profissionais analógicos. Afinal, era no dark room, no processo de revelação dos filmes e nas ampliações, que muita coisa era feita. Dá para aprender só de fuçar sozinho ou procurando em sites — como neste tutorial — e por videoaulas também. Nada que o Photoshop não faça, mas o Lightroom é bem mais direto ao ponto, além de incluir várias opções de organização de arquivos e catálogos – a.k.a. edição.

Raw sem tratamento e tratado
Processamento no Lightroom

Abaixo, um exemplo pessoal para mostrar como uma foto pode ser transformada através de um tratamento mais extremo:

Imagem de cachorra com bolinha de tênis em RAW e JPEG tratado
Luna, na flor da idade (2009) — visualização do RAW neutro e do resultado da pós-produção

Me parece normal uma fase de exageros nesta etapa quando você começa a fotografar e tratar suas fotos. Acho que isso se deve a nossa inicial falta de habilidade para gerar boas imagens utilizando outros recursos, como composição, técnicas, temas e ideias. Aí tentamos compensar ou salvar nossos registros por meio do processamento, ou melhor, usando filtros (olá, Instagram! o/), que antes nem opções de regulagem fina tinham. Nada contra estas pré-definições/presets de softwares e aplicativos – o VSCO é outra excelente escolha, caso você prefira fazer tudo no celular –, mas esse hábito, descuidado, pode levar a um tipo de estética que satura (sem trocadilhos) pelo uso totalmente gratuito e desconexo. A boa notícia é que estes excessos tendem a passar à medida em que evoluímos e começamos a tirar fotos melhores. No fim das contas podemos aprender um par de coisas mexendo nesses filtros (o Lightroom também é cheio deles) e passamos a entender que na maioria das vezes não precisa pesar a mão.

*Observação importante II: antes que eu me esqueça, cada vez que alguém utiliza o recurso cor seletiva ao manipular uma imagem, um jovem e promissor fotógrafo fica cego em algum lugar do mundo. Então, de verdade, não façam isso.

Placa de pare colorida e fundo em preto e branco
Hammer time — Não, sério. Parem mesmo

 

Benedict Cumberbatch como Alan Turing em O Jogo da Imitação (2014)
E HDR?
John Cleese em Silly Job Interview

HDR (high dynamc range) exagerado, como vemos na maior parte das vezes, é outro estilo de processamento que dificilmente fica bom – na minha opinião –, mas se você curte deixar tudo com cara de aerografia baranga dos anos 80…

Apesar de eu ter falado que não ia comentar sobre modificações extremas, não custa nada mostrar o trabalho de algumas grandes fotógrafas que criam cenas surreais a partir de uma boa dose de manipulação criativa. Uma delas é a inglesa Natalie Dybisz (conhecida na web como Miss Aniela), que muitas vezes revela os bastidores de seu processo de criação:

Imagem "The Dance" de Miss Aniela (Natalie Dybisz) e cachorro retirado de quadro de Alexandre-François Desportes
The Dance — O cachorro é de uma pintura de 1719 feita por Alexandre-François Desportes
Processo de criação de imagem (Catsup) de Miss Aniela (Natalie Dybisz)
Catsup – autorretrato fotografado com luz ambiente, luminária de mesa e uma cadeira para ajudar na levitação

A americana Brooke Shaden e a libanesa Lara Zankoul (com quem você pode até fazer um curso online de fotografia conceitual) também seguem esta linha:

The Unexplored Sea de Brooke Shaden e Confined Power de Lara Zankoul

Obviamente, hoje em dia é bem mais prático trabalhar o processo de tratamento com arquivos digitais do que quando a única opção era o filme.

Seu Madruga pedindo para Quico sair da frente da câmera fotográfica
“A carne de burro não é transparente.” (MADRUGA, Seu [ca. 1977])

Aí ou você mandava seus negativos para a revelação e rezava para fazerem do modo que pediu — digamos, o JPEG “instantâneo” da época — ou fazia seu próprio laboratório em um canto estranho da casa, comprava todos os químicos, acessórios e torcia para não ser alérgico. Tem gente que ainda faz estas coisas. Só neste post mencionei: Michael Kenna, Terry Richardson, o povo das pinhole, praticantes de lomografia e Seu Madruga.

Não quero me alongar muito ao falar sobre edição, mas o princípio é simples: mantenha e apresente só as melhores imagens. Disponibilize-as na internet, de preferência em alguma rede com mais entusiastas da área.

Sempre gostei muito do Flickr. Ali aprendi muito com os grupos e espaços para discussões, porém apesar de ainda ser utilizado por muita gente, o site/app já não está em evidência — em partes, culpa da Yahoo que o comprou apenas para transforma-lo em um grande depositório, sem mais investimentos.

Apesar das alfinetadas que dou no Instagram, é sem dúvida a plataforma de maior visibilidade atualmente. Além do mais, é bem fácil de utilizar e possui o melhor alinhamento com outras redes, principalmente depois que Mark Zuckerberg a comprou. Assim, grandes fotógrafos sempre aparecem por lá e existem inúmeras vantagens que dispensam comentários, mas confesso que muitas vezes me decepciono com o enfoque geral sobre fotografia, que lá me parece ser menos sobre “olha isto!” e mais sobre “olha eu!” — a lógica se inverte: o fotógrafo em primeiro lugar e a fotografia em segundo. Deste modo as discussões específicas que tanto gosto, e que podem nos motivar a evoluir na área, acabam se perdendo.

 

Concluindo este extenso post, no fim das contas é muito subjetivo apontar do que é feita uma boa fotografia, mas normalmente, quanto mais clicamos e vemos bons trabalhos por aí, mais nos interessamos por registros menos óbvios, que talvez não se apoiem tanto na beleza do assunto registrado (pessoa, monumento/arquitetura etc.), nem no tratamento ou na técnica/efeitos de equipamentos utilizados. Pode ser que com o tempo, além da plasticidade, você também passe a se interessar mais pela graça de imagens que a princípio poderiam ter sido triviais, no entanto foram capturadas de um jeito que as transformou em algo inesperado ou mesmo bem humorado. Sendo assim, para fechar, coloco alguns exemplos do francês René Maltête (1930–2000):

Fotografias bem humoradas e em preto e branco

*Atualizado em março de 2016

2 thoughts on “Guia para iniciantes em fotografia

  1. Olá
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    http://www.maquinas-fotograficas.com

    Lembre-se esse é apenas um dos sites que possuímos temos outros diversos para parceria.
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    email: raquelmoreira100@gmail.com
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