Lius – referências visuais

As músicas podem ser ouvidas no Soundcloud. Já aqui, vai um pouco sobre o processo de elaboração da parte gráfica.

A começar pelo nome, como já utilizo o meu próprio neste site, precisava de uma alternativa para separar um pouco os assuntos. Graças a amigos, principalmente o Flávio, mestre da arte de apelidar os outros, Luciano já tinha sido tão modificado aleatoriamente que eu possuía uma boa gama de variações à disposição.

A grande vantagem da palavra escolhida, Lius, é que além de ser pequena, sonora e fácil, surpreendentemente não é tão comum, e assim ainda tem vários logins e domínios fora do risco de extinção (o que é uma dádiva nos dias atuais). Além do mais, o único outro significado aparente do termo é um gênero taxonômico de pequenos besouros – o que agrada meu protobiólogo interior não desenvolvido.

Em relação à tipografia, a ideia era buscar alguma fonte com detalhes (ganchos, orelhas, etc.) mais curvos e extremidades circulares, algo que tivesse um pouco a ver com sinais encontrados em notações musicais – de maneira não explícita, porque… né?

Clave de fá
Drop the bass

 

A escolhida como base:

Tipografia completa – Face 37
Bella de Rick Banks – Face 37

Daí foi só fazer modificações para personalizar o desenho e criar um lettering bem balanceado graficamente. Em relação a isso, quando a situação permite, gosto de buscar simetria, através do recurso de colocar a última letra também em caixa alta. Culpo o icônico logo do Metallica atuando de forma inconsciente. Para funcionar em tamanhos reduzidos, a espessura das serifas e de outras partes mais também teve que ser aumentada.

Lius – construção de logotipo
Toda vez que vejo o processo de algo em construção, me vem à cabeça um rap-educativo, forçadão, total anos 90, Rá-Tim-Bum

A alusão ao besouro se fez útil na hora de pensar outros elementos, já que gosto muito da estética de ilustrações científicas – aquelas hiper-realistas, em grafite, nanquim ou aquarela.

Besouro Atlas Beetle – Chalcosama caucasus (West Java), ilustração de Dino Pulera
Dino Pulera

Fazendo um paralelo com ciência, se fosse para categorizar as músicas em umas das definições rasas de pesquisa básica ou pesquisa aplicada, certamente cairiam na primeira, já que no momento, o material gerado é apenas resultado de estudos, sem buscar aplicações práticas imediatas.

Os seres de Walmor Corrêa também seguem o estilo de ilustrações científicas tradicionais, adicionando um lado bem criativo:

Criaturas de Walmor Corrêa

Tais figuras acabaram me lembrando de antigos seres lendários:

O Livro dos Seres Imaginários e Globo-apontador

O livro acima, de Jorge Luis Borges e Margarita Guerrero, foi comprado há muito tempo, justamente como fonte de possíveis ideias para trabalhos, e o apontador em forma de globo é tão velho que nem me lembro de onde saiu. Já que ambos trazem esse imaginário de séculos atrás, me levaram a conferir uma esquecida pasta de imagens escaneadas de outro livro, The Mad Old Ads, encontrado na biblioteca da faculdade há muitos anos.

The Mad Old Ads – Dick Stuphen

Anúncio "No Pneumonia!" e "Madame Rowley's Toilet Mask"

Após esse levantamento, me voltei ao letreiro para pensar em como integrá-lo às possibilidades abertas.

Os trabalhos abaixo, de Emil Bertell e Jamie Clarke, foram valiosas referências, pois aparentemente o melhor seria trabalhar as ilustrações em forma de texturas de preenchimento, já que assim manteria a identidade mais tipográfica, enquanto o resto dos grafismos e ilustrações pudessem ser modificados de acordo com o momento. Além do mais, a colagem adiciona um aspecto profuso, que também é pertinente.

Tipografia ilustrada de Emil Bertell
Emil Bertell
Capitulares ilustradas de Jamie Clarke
Jamie Clarke

Nesse ponto é que a lembrança dos “loucos antigos anúncios” acabou definindo o caminho a seguir, direcionando para imagens de ilustrações antigas em geral. Afinal, seria até mais prático, já que há várias gravuras disponíveis por aí, e muitas sem restrições de direitos autorais (sobre esta questão, no caso de colagem, seria um outro papo).

Talvez eu nem precisasse de uma cópia de The Mad Old Ads para buscar aquelas imagens, pois sei que basta ir à hemeroteca mais próxima e pesquisar revistas e jornais antigos para encontrar anúncios do tipo: “Tabletes de cocaína do Dr. Fulano – para dar mais ânimo a seus filhos”, ou mesmo:

Anúncio "crianças retardadas – professora especializada aceita alunos p/ aulas particulares."
Sei que vários desses achados vem junto a belas imagens

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No final acabei com essa grande maçaroca de ilustrações superantigas, incluindo também outras figuras referentes a animais, esqueletos, etc:

Lius - colagem e logotipo

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Lius- logotipo preenchido com ilustrações

 

O curioso é que só ao finalizar a colagem percebi como o visual resultante remete a um site que eu adorava, do Ween.

Vaca do site em Flash do Ween
Link para o fantástico site

No caso deste processo, não me preocupei tanto em manter as ideias no trilho, já que se trata de algo autoral, para fins pessoais e sem uma diretriz fixa. Assim, acabei trocando uma linha de raciocínio que me agradava bem, por ser consistente em significado, em prol de outra com apelo predominantemente estético e aplicação mais prática.

Apesar de não ter aproveitado tudo o que considerei das primeiras referências analisadas, foram bem úteis ao sugerir novos caminhos, e não as considero totalmente descartadas, pois apenas foram devidamente arquivadas na gaveta mental destinada a futuras necessidades gráficas. Talvez ainda apareceram por aí.

Para conhecer um pouco das músicas, é só dar uma passada no Soundcloud: https://soundcloud.com/audio-lius

Em breve, mais coisa por lá.