set
07

A comédia dramática da taxidermia

Apesar do que pode parecer pelo título, não vou falar sobre o filme Taxidermia (2006), que ainda nem assisti.
O negócio é que tenho visto muitas imagens de taxidermizações mais malfeitas que as plásticas do Abadia. Muitos exemplos sob o termo “taxiderp“:

taxidermia tosca 01

"– Amor, tô grávida."

taxidermia tosca 02

Olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada.

taxidermia tosca - felinos

... e vários rostinhos felizes.

 
Depois de ver isso, os personagens de Lion Man me passaram a fazer mais sentido.

Lion Man

 
I see.
E na escola você aprendeu que taxidermia é a arte de reconstituir a aparência de animais, de modo fiel a quando em vida?

frogs taxidermy - bullshit

 
Pelo o que parece, desde a Era Vitoriana profissionais tem feito grande esforço em “empalhar” bichos das maneiras mais esdrúxulas:

Walter Potter's taxidermy

Walter Potter

esquilos taxidermia

Obs.: o do soquinho é campeão demais!

 
Esquilos são tão populares nesse estilo antropomórfico que tem até à venda no eBay!

eBay - cowboy squirrel

"A brand-new, unused, unopened, undamaged item."

Ao ver essas coisas, me pergunto onde está o talento brasileiro pra se aproveitar da fauna local de ratazanas (cangurus) do centro da cidade, ou de habitats especiais, como os supermercados de BH?

Enfim… depois de dar uma passada por tosqueiras como grupos no Flickr (Bad Taxidermy), páginas no Facebook (Badly Stuffed Animals) e sites como o Crappy Taxidermy, descobri trabalhos surpreendentes de muitos artistas como Jessica Joslin, Julia de Ville, Mike Libby, Afke Golsteijn e Floris Bakker.

taxidermia - arte

Jessica Joslin, Julia de Ville, Mike Libby e Afke Golsteijn / Floris Bakker.

 
Mas tem também muita coisa de rogue taxidermy que nem coloquei aqui, porque te pediria pra voltar em 1997 e cantar comigo:

 
Acabei trombando com um livro, que pelas resenhas, comentários, e minha nova mania muambar pela internet, encomendei de curiosidade pra ver ¿qué pasa? com essa coisa toda:

The Authentic Animal: Inside the Odd and Obsessive World of Taxidermy (Dave Madden)

 
Mas se pra você nem uma foto do Schwarzenegger com a cabeça na boca de um jacaré empalhado não consegue atrair o mínimo interesse pro assunto (para o bem ou para o mal), infelizmente não sei o que mais pode conseguir:

Arnold Schwarzenegger - alligator

Onde consigo um poster disso?

 
Na verdade essa postagem era pra ser sobre um assunto mais amplo, mas acabei desvirtuando e falando só de uma coisa.
Em breve tento de novo. Por hora…

That's all, Folks!

 
—–
* Atualização:
Dias depois, pensando que já tinha rendido o papo, descubro que NOPE!… Chuck Testa estava por vir.

 

ago
28

Sax, Drags and Rick ‘N’ Roll

Sax, Drags and Rick 'N' Roll


O que foi que eu fiz?

O que foi que eu fiz?!

Tá difícil concentrar e trabalhar.
 

jul
06

Vendo Canon XTi (400D) com lente e acessórios.

*Vendida.

Como comentei nesse post, estou vendendo minha câmera, uma Canon EOS 400D (Digital Rebel XTi / KISS Digital X). O único motivo, é que precisei pegar uma com vídeo e infelizmente não po$$o ficar com as duas.

Vai com a lente do kit (EF-S18-55mm f/3.5-5.6 II), que é bem versátil e atende a grande parte dos usos.

Canon XTi + lente do kit

E pra desencanar total e bater foto igual um turista japonês à base de ecstasy: uma bateria extra, cartão de memória de 16 GB, mais um de 2 GB.

Tem aproximadamente 19 mil cliques.

Vendo com tudo: cabos, alça, carregador, tampinhas, caixa, manuais (e todos aqueles “papilins”), até uma bolsa de tamanho ideal pra levar o equipamento pra cima e pra baixo, além de um kit para limpeza.

Canon XTi + acessórios

O preço é R$ 880,00.

Está tudo em bom estado, com apenas alguns sinais de uso, já que a tenho por quase 3 anos.
Assistindo a esses vídeos, dá para perceber que é um equipamento que aguenta muita coisa na vida ainda. ;)

Aqui tem várias fotos que tirei com essa câmera e lente (no máximo umas 8 foram batidas com outra objetiva).

Aos interessados é só entrar em contato pelos comentários do blog ou por e-mail:
contato@lucianobaeta.com

Compre! Compre! Compre!

jun
28

Ween

Há uns meses atrás fiz essa ilustração em cima do weimaraner “OMG dog“  e com referência aos antigos cartazes psicodélicos da Fillmore. Na mesma linha e mais recente (de 2009) tem aquela ilustração do James Brown feito pelo Sergio Moctezuma.

Para quem não conhece o Ween, é uma banda que gosto muito, formada por Dean Ween (Mickey Melchiondo) e Gene Ween (Aaron Freeman).

É bem legal como as composições são diversificadas, indo de tosqueiras à outras bem arranjadas e elaboradas.
Exemplos que recomendo: Monique The Freak (ótima sátira ao funk) / Ocean Man (usada no filme do Bob Esponja) / Learning To Love (o solo começando a 1:10 é melhor) / It’s Gonna Be a Long Night (mais hardcore), Transdermal Celebration e muitas outras.

Bão também é o senso de humor, seja avacalhando o jingle feito a pedido do Pizza-Hut (posteriormente recusado), ou fazendo músicas como HIV Song, de 1994. No vídeo abaixo, com diálogos de EastEnders:

Pra quem gostar e resolver baixar algo, já aviso que os primeiros álbuns são meio bizarros e mais toscões, já que os caras eram bem moleques, sem gravadora e improvisavam gravações com bateria eletrônica e efeitos baratos.
Fizeram ótimas coisas desse jeito, mas os últimos trabalhos são bem mais fáceis de digerir, apesar de em muitos momentos manterem a mesma essência do começo.

Pra fechar, eis uma ótima parceria com o Yanni:

Yanni / Ween

mai
26

Considerações sobre Fotografia.

Ultimamente tenho visto algumas pessoas se interessando por fotografia, me perguntando que câmera uso e tudo mais. Resolvi então fazer esse post pra vender a minha falar um pouco do assunto pra quem está começando.

Photography noob

Say "the motherfuckin' cheese"!

Vou partir de coisas mais básicas, pra quem é inciante e quem tem interesse em fotografar simplesmente por hobby. Mesmo porque, não sou fotógrafo profissional e atualmente fotografo mais por diversão e pra complementar meu trabalho de designer gráfico.

É curioso quando chega alguém e diz:
Que legal essas fotos! Parabéns pela sua câmera.
Imagino se após um show parabenizam a guitarra pelos solos também.

Tem também o desiludido:
Aaaaaah!.. Tratando a foto, né…
Pois é! Eu também nunca dou crédito a quem cozinha um bom almoço. Afinal, temperando, até eu! E posso falar isso mesmo não conseguindo fazer um ovo frito sem estourar a gema.

Mas vamos a alguns pontos que colaboram para boas fotos:

Equipamento: câmera, lentes, filtros, flashes, bugigangas em geral…
Técnica: entender do equipamento e saber operá-lo, entender como a luz afeta o resultado da imagem…
Assunto: coisas interessantes podem gerar fotos mais interessantes.
Olhar: saber compor a foto, enquadramento, ângulo, trabalho de planos, cores, momento, etc…
Tratamento: contraste, saturação, tonalidades e ajustes diversos da “revelação digital”.

Sim, equipamento ajuda. Mas é só um dos itens. Dá pra ter resultados muito bons mesmo com câmeras mais simples, portáteis, point-and-shoot.

Mythbusters – Let's check this myth.

Flickr - point-and-shootLinks das imagens no Flickr: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8.


Rola até um vídeo famoso mostrando uma sessão de fotos com iPhone 4. Meio forçado. No caso, tudo é profissional, menos a câmera. Mas vale como curiosidade.
Há ainda os que fotografam praticamente sem equipamento e conseguem imagens interessantes.

O que não vale é deixar de lado e culpar a (falta de) câmera. Afinal, quem fica esperando arrumar equipamento bom e não desenvolve outras habilidades, quando pega na câmera comete erros básicos, como nos exemplos do que não se deve fazer desse guia:

78 PHOTOGRAPHY RULES FOR COMPLETE IDIOTS

Por mais que muita coisa aí pareça absurda, muita gente faz, mesmo que em menor grau.
É incrível! Eu vivo me surpreendendo e lembrando desse link quando pego pra ver, por exemplo, fotos de viagens de algumas pessoas, ou quando peço pra tirarem uma foto minha em algum lugar.

Ficar atento a essas coisas básicas já ajuda muito, como às vezes aplicar uma simples regra dos terços, evitar usar flash direto nos outros – pra não deixar a pessoa com cara de animal na estrada prestes a ser atropelado de noite – ter atenção também ao fundo (vide Clã da Parede Podre) e por aí vai…

São dicas do tipo “leva um agasalho que vai esfriar”. Parecem idiotas, mas quase sempre são certas. Depois que já estiver mais familiarizado, vai saber quando pode e deve quebrar essas regras pra gerar resultados mais criativos.

Como é o caso de Terry Richardson, fotógrafo/aparecido que muitas vezes faz uso de uma Yashica T4 (point-and-shoot barata de filme), jogando flash direto na cara da galera, pra criar um clima foto-amadora-blasè-em-festa-hype-com-celebridades-se-passando-por-sexies-e-espontâneas. Enfim, pra muita coisa o estilo dele funciona.

Ben Stiller - Terry Richardson

Zoolander chuta bundas!

Saddam Hussein DJ

Outro registro clássico dessa linha.

Dê uma estudada nos recursos de seu equipamento, principalmente se sua câmera tiver opções manuais de controle de exposição, velocidade de obturador, abertura de diafragma, sensibilidade ISO e tal. No começo não parece tão simples, mas depois você vê que é o de menos.

Na internet tem informação a rodo sobre isso e você acha até simuladores dessas coisas.


Jules Winnfield ensina.


Procurar fotografar sobre uma ótica diferente ajuda muito a ter fotos menos batidas, assim como escolher assuntos mais diversos. É até um estímulo para sair mais, conhecer novos lugares, pessoas e cidades. Ficar concentrado em fotografar só pôr-do-sol; flor/mato do seu jardim; e seu gato posudo; só é bom se você quiser virar o Richard Clayderman das câmeras. Mas pode ser legal e natural ter seu momento “fotografia de fundo de Karaokê”. Pessoalmente só recomendo a pegar leve.

É interessante pensar mais na composição e brincar com isso: arranjos de cores; relação entre áreas claras e escuras; ver elementos como linhas horizontais/verticais/diagonais, etc… Abstrair a cena e pensar mais em massas gráficas. Nesse ponto, gosto muito do trabalho do Michael Kenna:

Michael Kenna

Um dos fotógrafos que mais gosto.

Na lamagrafia lomografia muitas vezes o interesse é só compositivo. Fazer justamente o contrário do que diz aquelas 78 regras já mencionadas aqui, pode ser o melhor.
Gosto principalmente das cores. O despretencionismo e acaso podem deixar a atividade mais divertida, independentemente do resultado. A ideia de fotografar muito e qualquer coisa é um bom exercício. Só me frita um pouco a obsessão e o uso exagerado, muitas vezes gratuito, que rola com essa estética.

Tratamento

Tratamento de foto.

Eu que já trabalho com softwares gráficos, me sinto muito à vontade na parte de pós-produção, tratamento. Escolher com cuidado o nível de contraste, saturação, balanço de cores, reequadramento (se for o caso), ajustes locais de exposição, adicionar grão (ou remover ruídos)… Tudo isso colabora para expressão final da foto. Mas não há tratamento que salve uma foto ruim.

Quem fotografa em RAW, sabe que esse ajustes são essenciais, já que ao contrário do JPEG, que já é a imagem pronta, o arquivo sem compressão gerado pelas câmeras digitais entra no seu computador absolutamente neutro. Aí, é pra mexer mesmo! Deixar do modo como você pensou quando bateu a foto, ou mesmo testar novas possibilidades ao gerar a imagem através dele. O bom é que a edição é totalmente não-destrutiva: pode mexer o tanto que quiser e quantas vezes precisar no arquivo. Não é a toa que o RAW é chamado de “negativo digital”.

Um software excelente pra trabalhar suas fotos é o Lighroom da Adobe, que funciona com JPEG também, porém é bem melhor com arquivos sem compressão. O Lr é muito fácil de mexer, tem ótimos recursos e é bem intuitivo. Como o próprio nome diz, se propõe a ser o quarto escuro da fotografia digital. Afinal, era no dark room, no processo de revelação dos filmes e nas ampliações, que muita coisa era feita.

Dá pra aprender só de  fuçar sozinho ou procurando em sites – como nesse tutorial – e por vídeo-aulas também. Complica menos que o Photoshop.

Lightroom: before/after

Exemplo do link acima: processamento no Lightroom.

E é bem mais prático trabalhar esse processo hoje em dia com arquivos digitais do que quando a única opção era o filme.

Don Rámon fotógrafo

A carne de burro não é transparente.

Aí, ou você mandava seus negativos pro laboratório e rezava pra fazerem do modo que pediu – digamos, o JPEG dá época – ou fazia seu próprio laboratório num canto estranho da casa, comprava todos os químicos, acessórios, e torcia pra não ser alérgico. Tem gente que ainda faz essas coisas – só nesse post mencionei: Justin Quinnell (o das pinhole), Terry Richardson, Michael Kenna, praticantes de lomografia e Seu Madruga.

À medida que for gerando suas imagens, coloque-as em sites como o Flickr.
Fazer contatos com outros que praticam a mesma atividade é de muito valor. Então adicione pessoas, comente e deixe outros comentarem suas imagens, para falar sobre erros, acertos e dicas. Inclua tags, descrições e grupos à suas fotos e veja mais trabalhos diferentes. Dá pra aprender muito e compartilhar conhecimento em discussões sobre os mais variados assuntos relacionados à fotografia nos grupos e fóruns.

Finalizando com um clichê que muita gente da área sempre diz: “o resultado tem que contar uma história”.

 

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