Há mais de 3 anos atrás, pouco depois de comprar um tablet pra ilustrações digitais, fiz um desenho utilizando uma ótima foto do MMW como base. Só por esporte.
John Medeski
Billy Martin
Chris Wood
E como não tinha achado o autor da foto, recentemente resolvi mandar um e-mail pro pessoal do site da banda, perguntando, pra que eu pudesse creditá-lo junto a meu trabalho.
Foto de Danny Clinch.
Me disseram que gostaram do trabalho e pediram pra usá-lo em algum material dos caras.
Assim, numa correria de improviso, aquele velho layout que eu tinha feito só pra prática pessoal, com algumas alterações, virou um cartaz de verdade. E da turnê americana celebrando 20 anos do Medeski Martin & Wood! :)
Fiquei muito satisfeito em colaborar com algo pra essa que é uma de minhas bandas preferidas. E é sempre bom poder compensar por gigas de MP3 pirata já baixados ajudar a divulgar tão boa música.
Pra quem não conhece o som de eletrodomésticos descontrolados, trilhas de intensos mini-filmes sem começo/meio/fim, e moeção total desse trio, coloco aqui mais algumas coisas.
Clipe de Uninvisible:
Escutando umas coisas, dá pra acreditar que o Medeski tem mais de duas mãos, pra conseguir tocar piano, órgão, clavinet, mini-moog, daquele jeito e ao mesmo tempo…
Eis que para minha surpresa vejo um vídeo deles tocando Partido Alto:
Percussãozinha marota brasileira.
The Dropper ai vivo (eu sempre fico de cara com o homi moendo o clavinet a partir de 1:30):
Uma das coisas mais legais que a banda já fez foi o álbum “pra crianças” Let’s Go Everywhere. Então, se você tem filho, sobrinho, afilhado, bisneto, ou quer fazer uma doação para o Criança Esperança, esse álbum é o melhor presente.
Caso tenha marcado “não se aplica” para todas as questões acima, ainda sim não deixe de escutar. Pode ser um ótimo começo pra conhecer MMW.
E lembrar que já perdi uns dois shows deles aqui no Brasil nos últimos anos por puro bunda-molismo…
Mas pro próximo confirmo minha presença mais que barulhinho de urna eletrônica.
Era pra eu ter postado umas coisas nesse tempo, mas a tecnologia sempre me esfaqueia pelas costas.
Enquanto isso, pra não esquecer a senha do blog, vai umas fotos que tirei no show do Charlie Hunter aqui em BH, no Espaço 104, 7 de novembro do ano passado.
Não tenho fotografado coisas interessantes ultimamente. Essas aqui são as últimas que gostei.
Charlie Hunter (curto muito a tatuagem do Pica-Pau, haha)
O show foi excelente!
O cara nasceu nos EUA e teve aulas com Joe Satriani. Morou em Paris por um tempo (o que explica os muitos títulos de músicas em Francês) e quando voltou, tocou guitarra e órgão na banda de Michael Franti. Esse você deve conhecer com Say Hey (I Love You), uma música que não sei a letra, mas soa como alguém feliz descascando um abacaxi.
Tem umas músicas com a Norah Jones também, nesse disco.
O negócio é que o homi toca com um instrumento customizado, de 7 cordas (antes eram 8). Mas não daquelas guitarras comuns entre metaleiros. É uma mistura de baixo com guitarra, com captadores divididos enviando para dois amplificadores separados o som de cada região de cordas. E é isso que ele faz:
Mói no baixo e guitarra ao mesmo tempo. Com um toque de órgão Hammond nos efeitos.
Só vendo. Porque é tipo:
Nos vários álbuns já lançados a sonoridade varia bem. Jazz hora mais suave, hora bem nervoso, hora mais latino, ou mais funky, mais rock ou mesmo pop.
O Baboon Strenght (2008) e o Mistico (2007), são meus preferidos. Aconselho muito a procurar por esses.
Você pode escutar esses discos nos links lá em cima. Comprei os dois no dia, até porque acharia estranho sair de um show tão doido tendo gastado só os R$ 7,00 do ingresso.
Sentei colado na frente. Livre da movimentação de cabeçudos. O que é bom também para tirar fotos (ainda mais porque não tenho tele, né). E ali, com os sons dos amplis em cima do palco, da bateria e trompete direito na orellha, tudo tocado por músicos tão talentosos, é que você pensa:
Isso sim é som!!!
O entrosamento (powered by caretas e dancinhas) da banda é impressionante. O trompete teve uma presença mais pontual, mas o baterista era o verdadeiro batera moendo.
E o pessoal também é gente fina demais. Aproveitei pra tirar uma foto com uma cara de pão de queijo dormido:
Obrigado à fotógrafa de backup. ;)
Agora é só deixar o som rolando com essas 5 músicas (pena que no YouTube não tem algumas de minhas preferidas):
Apresento-vos um retrato que fiz há uns meses atrás para presentear uma bela e nobre madame inapta a condução de veículos sobre duas rodas.
clique para ampliar
Como a graça era não revelar o desenho antes da entrega, não pude contar com um estudo ensaiado em condições ideais de temperatura e pressão.
Então, sem mais modelo e sem moto desmanchada, usei as imagens abaixo:
1- Moto/Chassi
Nem pistas do autor, ou de onde saiu. Até achei no Google Images de novo, mas cai em um site com uns escritos em árabe e mil pop-ups pornôs pulando. Enfim…
2 – Modelo de corpo
Tirada do site Sideview Inn (de um fotógrafo alemão).
Frase atribuída a várias pessoas (nada estranho) e muito fácil de ser mal interpretada por maloqueiros.
Pra começar, eis um exemplo famoso (sem mencionar a mulher-do-pântano):
À esquerda, foto de Mannie Garcia pela agência AP e à direita, arte de Shepard Fairey
Antes de tudo ser acertado rolou um arranca-rabo sobre os direitos de imagem entre o fotógrafo Garcia, a agência AP (pela qual foi contratado como freelancer) e o Fairey, que inicialmente não deu créditos à foto e ainda afirmava que não era essa a usada como base.
Acredito que esse tipo de uso, em muitos casos nem geraria problemas, mas tem que se levar em conta a abrangência, importância e exposição mundial da campanha em questão.
Por fim, acabou que todos entraram em um acordo e o fotógrafo ainda acrescentou que a personalidade retratada é quem deveria ter os direitos de imagem. O que faz sentido também.
Shepard Fairey é sem dúvida um grande artista da atualidade, e como sua base é a arte de rua, faz assim como no rap, uso de muitos samples para compor seu trabalho e expor ideias da maneira mais impactante e objetiva possível. As causas sociais estão acima de qualquer lei. O que é muito legal. Mas as críticas que caem sobre ele, são sobre como, apesar de fazer seu trabalho usando o de outros, protegidos por copyright, Fairey impede e até processa quem quer que use suas imagens para gerar novas aplicações.
Além disso, não revela abertamente as fontes que utiliza.
Partindo agora para um caso muito recente:
À esquerda ilustração de José Luiz Benício pra álbum do Erasmo Carlos de 1980. À direita, capa do álbum Circus Maximus do MC alemão Morlockk Dilemma, a ser lançado em fevereiro agora.
“(…) ele copiou exatamente a mesma capa que eu desenhei, o fundo, é tudo igual, a essência é a mesma, só mudou a cabeça do cara.”
Mas não vamos julgar. Vai ver essa era a referência:
No site You Thought We Wouldn’t Notice são publicadas por usuários, acusações de apropriações indevidas de seus trabalhos.
Lá se vê muita cópia descarada, mas como é bem difícil dizer até que ponto as apropriações são sensatas, ou o que pode ser apenas semelhança, nota-se muita tempestade em copo d’água também.
Falando nisso, com a divulgação do logo das Olimpíadas no Rio, passou-se a apontar um suposto plágio, como mostra a figura:
Rio 2016 / Telluride Foundation / Quadro "A Dança (I)" de Henri Matisse
Beleza! Se ninguém mais pode fazer ciranda, que acabem logo com essa putaria:
"a Ku a Ru"?
E cada vez mais vemos adaptações de ideias da internet pra TV, principalmente em comerciais e clipes musicais.
Um vídeo que ficou muito famoso foi esse da Diesel, com filmes pornôs censurados por desenhos toscos (link do Vimeo, pra quando o YouTube tirar do ar):
De fato, só adaptaram uma ideia antiga (que já é em si um remix) de fóruns e blogs da web. Algo conhecido como “make porn not porn“, ou o que você encontra no site Porn Safe For Work.
clique para aumentar: 8===D
O clip de We Are Your Friends do Justice vs. Simian fez basicamente a mesma coisa. Recria quase com exatidão fotos que rodam a internet, de pessoas bêbadas, sacaneadas por amigos:
bons exemplos: beberam e não dirigiram
Há de se convir que combinou com a música:
São adaptações malandras, mas que pelo menos levam as ideias a outro nível, público e contexto.
Ainda falando de internet, quando as referências ou mesmo os remixes se perdem nesse limbo, é um problema. Fica difícil traçar paralelos, dar créditos, saber fontes ou mesmo se o que você vê, não é de fato, genuíno.
Dá até pra acreditar que não é uma montagem. Afinal, tem muito livro bizarro por aí (ex.: 1, 2 e 3).
“Batimã” Feira da Fruta é um exemplo clássico de remix que rodou por anos sem ninguém saber a origem. Para alguns podia parecer mais um vídeo de internet estilo Tela Class, mas foi mesmo feito em 1981 por Fernando Pettinati (Batman) e Antonio Carlos Camano (Robin), em um videocassete, quando nem vendiam tal aparelho tecnológico no Brasil.
Nessa linha de reedição não tem como esquecer de Kung Pow. Apesar de existirem outros bons e mais antigos, é dos filmes que mais contaminam o cotidiano com citações (depois de assistir umas 10 vezes com amigos). E o Sealab 2021, que é um ótimo exemplo na animação. Frisando pra quem não viu, que funcionam melhor com a dublagem brasileira.
Esses são remixes mais do que óbvios, onde a graça está justamente na comparação com o material original, mesmo que presente só em estilo (logicamente funciona melhor em paródias e sátiras):
São dos tipos em que mais gosto de trabalhar, juntamente com os remixes mais homogêneos.
Gosto muito de toda a diversidade, releitura de pérolas (ou clássicos esquecidos), reformulação de ideias não valorizadas previamente, homenagens, trabalhos colaborativos, Creative Commons e tudo mais. E sou um fã de colagens. Mas sempre vemos os casos nos quais pegam muita carona, não ajudam na gasolina e ainda descem um quarteirão antes pra parecer que foram sozinhos (quando não clonam o veículo).
E essa ideia de apropriação visando unicamente vantagem e méritos próprios não é muito anormal em agências de publicidade e escritórios de design. Eu mesmo já tive que escutar: – É pra seguir a “referência”. Olha lá! A cor do fundo não é essa. Só faz igual!
Aí, rezam pra ninguém notar.
"Profissionais criativos" dando a mínima para o copyright alheio.